Apostadores de bet em periferias buscam ajuda após pesadelo
Kaio, 42, perdeu R$ 200 mil, a casa, o carro e o casamento após vício em apostas. Moradores de periferias buscam ajuda em Caps, mas especialistas alertam para o risco crescente.
Kaio, 42, perdeu R$ 200 mil, a casa, o carro e o casamento após vício em apostas. Moradores de periferias buscam ajuda em Caps, mas especialistas alertam para o risco crescente.
Moradores de periferias do Distrito Federal e de Goiás estão buscando ajuda profissional após o vício em apostas online virar um pesadelo financeiro e emocional. Kaio, de 42 anos, perdeu mais de R$ 200 mil em dívidas, vendeu carro, móveis e a casa da família, e o casamento acabou. Hoje, dorme no chão de um dormitório alugado, sobre papelão, e faz tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no DF.
Kaio conta que tudo começou com anúncios de apostas no celular em uma madrugada de julho. Em minutos, perdeu R$ 5 mil, dinheiro emprestado por um amigo para quitar dívidas com agiotas de outras apostas. "Eu perdi a noção de tudo. Inclusive do tempo", diz. Ele relata que o vício se agravou após a perda do pai para o câncer, quando começou a apresentar sintomas de depressão. "Pior do que minha dependência no passado em álcool e outras drogas", afirma.
A psiquiatra Katia Branco, supervisora do Grupo Pro-Amiti do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que pessoas em vulnerabilidade, das classes C e D, são as mais atingidas. Moradores de comunidades periféricas, que ganham perto de um salário mínimo, viram alvos fáceis de anúncios que induzem à falsa ideia de que o jogo complementaria a renda. "Isso se tornou realmente muito perigoso", alerta.
O endividamento "em cascata" provoca agravamento de sintomas como depressão, ansiedade e ideação suicida, contextualiza a psiquiatra. A psicóloga Claudia Feres, da secretaria de Saúde do DF, reforça que "a pessoa tem um cassino na palma da mão" e que o tratamento nos Caps busca redução de danos e acolhimento da família. "Nos Caps, pessoas chegam com um pedido de socorro desesperado", afirma.
Outro paciente, João, de 32 anos, paraplégico após uma briga, faz tratamento semanal em grupo com a mãe, que teme que ele gaste os poucos recursos da família com bets. Já o pedreiro Ricardo, de 26 anos, morador da comunidade do Sol Nascente, calcula ter perdido mais de R$ 100 mil desde 2018. "A abstinência bate tão forte que a gente não consegue ter uma noite de sono normal", desabafa. tratamento para dependência de jogos como identificar a ludopatia
Letícia Sampaio Khoury
Editora de Gadgets e Consumo Tech
Testa o gadget no dia a dia real, avalia se vale a grana sem deslumbre de novidade.
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